Horário: 13h às 17h
Local: CIESP Jundiaí
Endereço: Av. Navarro de Andrade - Vila Hortolândia
Público-Alvo: Estudantes e profissionais da área da saúde com interesse em oncologia e hematologia pediátrica
Mais informações no Site Oficial do Grendacc
Estudo "Câncer na criança e no adolescente no Brasil" mostra que cerca de 30% dos casos oncológicos em pessoas com até 18 anos são da doença sanguínea, sendo o tipo de câncer mais frequente na faixa etária. Entre elas, crianças de 1 a 4 anos são as mais afetadas, com índice de 31%.
Após um ano de idade e até o final da adolescência, o câncer é a primeira causa de mortes por doença. Porém, cerca de 70% dos casos podem ser curados.
A criança acometida pelo câncer e sua família enfrentam situações desgastantes e ameaçadoras, as quais requerem verdadeiros atos de bravura, de todos os envolvidos, para seu enfrentamento. Além do impacto biológico do câncer, outras dimensões são afetadas. O câncer afeta a escolaridade, a prática esportiva, o lazer, o relacionamento com os membros da família, as relações grupais e interpessoais com a professora e com colegas da escola. Assim, este estudo tem como objetivo compreender o impacto do câncer na vida escolar de crianças e adolescentes.
Optou-se por desenvolver um estudo descritivo-exploratório, de abordagem qualitativa. A técnica de coleta de dados foi a entrevista aberta, em profundidade, na maioria das vezes, no domicílio da criança, enfermaria e ambulatório de quimioterapia. A coleta de dados foi realizada de dezembro de 2005 a abril de 2006. Participaram desse estudo dez crianças e adolescentes com câncer, com idade entre nove e quinze anos. Os participantes foram selecionados no ambulatório de quimioterapia de um hospital, no interior do estado de São Paulo.
Os dados foram organizados e sistematizados em categorias, que permitiram a compreensão do impacto do câncer na vida escolar de crianças/ adolescentes, a saber: “a descoberta da doença e sua repercussão na escola: em busca de caminhos para enfrentar a nova situação” e “o retorno à escola: das limitações à adaptação”.
Conclui-se que o impacto do câncer na vida escolar de crianças e adolescentes traz repercussões positivas e negativas, experenciadas de diferentes formas e que o enfermeiro pode ser um elo fortalecedor entre a criança/adolescente, serviços de saúde e a escola, podendo atuar orientando alunos, professores, diretores e todos os envolvidos. O estudo traz subsídios para repensar o cuidado de crianças/adolescentes com câncer em idade escolar na realidade brasileira, pois a maioria da literatura disponível refere-se a estudos realizados em países desenvolvidos e aponta para a necessidade de compreensão do objeto em estudo em outros cenários.
A morte ainda é um grande mistério e é vista pelos profissionais como um fracasso. O objetivo do trabalho é investigar como os profissionais de enfermagem vivenciam o processo de morte e morrer de crianças/adolescentes hospitalizados.
o estudo é de natureza qualitativa; os participantes são enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem que trabalham em clínicas com leitos pediátricos de um hospital-escola do interior do estado de São Paulo, que vivenciaram o processo de morte e morrer de crianças/adolescentes que estavam sob seus cuidados. Os dados foram coletados mediante entrevista e organizados nos temas: enfrentando a morte e luto da equipe. Os resultados indicam que os profissionais de enfermagem negam a morte nos hospitais, acreditam que sua função é salvar vidas e vivem o luto com a morte de seus pacientes. Concluímos que os profissionais de enfermagem deste estudo estão necessitando de suporte emocional e educacional para lidarem de forma mais harmoniosa com a morte e para assistirem às reais necessidades das crianças/adolescentes que estão em iminência de morte. Recomendamos que o tema da morte seja discutido nos currículos e que as instituições hospitalares busquem a educação permanente como estratégia de promover a mudança de postura dos profissionais junto ao paciente que está morrendo.
o grau e a prevalência da desnutrição energético proteíca pode alcançar até 50% das crianças com câncer. A aplicação do suporte nutricional enteral é justificado por um desequilíbrio nutricional quantitativo e qualitativo. O objetivo deste estudo foi avaliar a necessidade de energia e do volume hidrico em relação ao orientado e ao infundido por sonda nasoenteral em ambulatório.
foi um estudo retrospectivo realizado no ambulatório do Instituto de Oncologia Pediátrica, pela equipe de nutrição no período de outubro de 2005 a junho de 2006. Os pacientes estavam em tratamento oncológico e fazendo uso de sonda nasoenteral em ambulatório. O tipo da dieta enteral orientada foi de acordo com a necessidade clínica dos pacientes. O cálculo da necessidade de energia dos pacientes foi de acordo com as equações da OMS (<15 anos) e Harris Benedict (>15 anos). As necessidades hidricas basais foram calculadas de acordo com a fórmula de Holliday e Seger. A necessidade de energia e do volume hídrico foram avaliadas em relação ao orientado e ao infundido.
foram 23 acompanhamentos, sendo 9 adolescentes (> 10 anos) e 14 crianças (< 10 anos). O tumor de sistema nervoso central foi o mais frequente (56,5%), seguido por LLA (13%), tumor de Wilms (13%) e outros (17,5%). As principais indicações de sonda nasoenteral foram desnutrição (74%), distúrbio de deglutição (13%), desnutrição associada ao distúrbio de deglutição (8,5%) e baixa aceitação via oral (4,5%). Dezenove de 23 pacientes (82,5%) tiveram aumento do peso no período médio de 7,5 semanas de uso da sonda enteral. A porcentagem do orientado em relação à necessidade foi 81,5% de energia e 99% do volume hídrico. A porcentagem do infundido em relação à necessidade foi 59% de energia e 74% das necessidades hidricas. A média de porcentagem do infundido em relação ao orientado foi 72% de energia e 77% das necessidade hidricas. Os principais motivos que levaram à infusão inferior ao orientado foram as consultas médicas (51,5%), saciedade (26%), vômito durante os ciclos da quimioterapia (20%) e outros (2,5%).
Transplante autólogo de medula óssea (TAMO) é uma das opções terapêuticas para pacientes que atingem somente remissão parcial (RP) no primeiro tratamento, ou que apresentam recidiva de linfomas de Hodgkin (LH) e linfomas não-Hodgkin (LNH). Entretanto, poucos trabalhos na literatura médica incluem somente crianças e adolescentes, nenhum deles, até onde sabemos, em nosso meio. Assim, nosso objetivo é descrever os resultados obtidos com transplante de crianças e adolescentes portadores de linfomas.
Revisão do prontuário de todos os pacientes portadores de linfomas submetidos a TMO entre maio/1999 e junho/2006 em um centro de transplante pediátrico.
Vinte e três pacientes com idade de 4 a 21 anos, 14 meninos, com história de LNH (N=10) e LH (N=13) foram encaminhados para TAMO. Três eram portadores de linfoma de Burkitt (LB) em segunda remissão, seis, linfoma de grandes células (LGC) em segunda ou > terceira remissão e um linfoma linfoblástico (LL) em terceira remissão sem doador compatível aparentado ou não-aparentado. Os pacientes com LH estavam entre a primeira a quarta remissões, cinco deles apenas com remissão parcial à quimioterapia. Os regimes de condicionamento foram BCNU, etoposide, citarabina e melfalano (BEAM; 17), ciclofosfamida e bussulfano (4; LB) e ciclofosfamida e irradiação corporal total (1 LL e 1 LCG com infiltração meníngea). A fonte de célulastronco foi o sangue periférico em seis e medula óssea em 17 pacientes. A mediana de acompanhamento é de 310 dias (98-872). A mortalidade associada ao transplante foi de 1 em 23 (4%). Seis pacientes apresentaram recidiva da doença, quatro LH, um LGC e um LB, cinco deles submetidos a transplante após RP à quimioterapia. Duas pacientes atingiram nova remissão: uma com LGC-anaplásico submetida novamente à quimioterapia e uma com LH, após segundo transplante com sangue de cordão umbilical não-aparentado.
TAMO em nosso meio é um procedimento seguro, com mortalidadem associada ao transplante de 4%. Quatro crianças faleceram devido a recidiva da doença. Permanecem em remissão 13/15 pacientes transplantados sem doença mensurável (87%) e 3/7 transplantados após resposta parcial à quimioterapia. O papel da radioterapia após TAMO e dos anticorpos monoclonais na completa erradicação da doença será estudado prospectivamente.
O Osteossarcoma é o tumor ósseo mais comum da infância e adolescência. Acomete predominantemente o sexo masculino e a raça negra, ocorrendo na segunda década da vida, na fase em que os adolescentes encontram-se no estirão. O osteossarcoma tem predileção pela porção metafisária dos ossos longos (local de mais rápido crescimento ósseo na adolescência), sendo os locais mais comuns, a porção distal do femur, proximal da tíbia e proximal do úmero, estas três localizações respondendo por cerca de 56%. O osteossarcoma de mandíbula corresponde a aproximadamente 10% destes tumores, e os sintomas iniciais são dor e aumento do volume local; cerca de 50% das lesões envolvem o anel alveolar da maxila e a outra metade, o corpo (ramo) da mandíbula. O melhor prognóstico do osteossarcoma de mandíbula está relacionado com o diagnóstico precoce e cirurgia radical; a quimioterapia e a radioterapia também podem ter influência no prognóstico.
Apresentação de caso de uma paciente com tumor em ramo de mandíbula direita tratada no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo.
Paciente feminina, negra, de 13 anos de idade veio encaminhada pelo Serviço de cirurgia Buco-maxilar, em fevereiro de 2006, com queixa de aumento de volume e dor em região da mandíbula e gengiva direitas há um mês e com pouca melhora ao uso de analgésicos. Ao exame físico apresentava-se em bom estado geral, com massa de consistência pétrea, aderida a planos profundos, dolorosa à palpação, com 7 cm em seu maior diâmetro em ramo de mandíbula direita, infiltrando o assoalho da boca, provocando o desalinhamento dos dentes molares inferiores, com 3 cm de diâmetro em sua porção na cavidade oral, com área de necrose em região central. Estas características impossibilitaram a ressecção da lesão. Foi submetida a biópsia da lesão com um resultado anátomo-patológico de Osteossarcoma de alto grau, e inicío do tratamento quimioterápico.
O osteossarcoma de mandíbula difere daqueles de ossos longos no seu comportamento biológico, apesar da semelhança histológica. O diagnóstico precoce e a cirurgia radical são fatores que contribuem para a melhora nas taxas de sobrevida. O tratamento inclui também quimio e radioterapia adjuvantes e suas combinações, que influem positivamente no prognóstico.
O linfoma cutâneo é um subtipo raro de linfoma não Hodgkin na infância. Uma grande variedade de neoplasias de células T ou B podem acometer a pele tanto de forma primária quanto secundária. O termo linfoma primário cutâneo refere-se aos linfomas de células T ou B que tem na pele sua única manifestação clínica com ausência de doença extra-cutânea no momento do diagnóstico. Acomete principalmente adultos e apresentase em forma de nódulos solitários, localizados ou mais freqüentemente generalizados. Não há relato de sítio de maior acometimento. A maioria dos casos mostra um fenótipo T aberrante CD4+ com perda variável dos antígenos pan T. CD30 é negativo ou restrito a algumas células tumorais. O prognóstico em adultos geralmente é desfavorável com sobrevida em 5 anos menor que 20%.
No período de Junho de 1988 à Junho de 2006 foram atendidos em nossa instituição 235 pacientes com linfoma não Hodgkin e destes 6 eram linfomas cutâneos. Relatamos assim dos casos de nosso serviço.
Escolar do sexo feminino, 9 anos de idade, com lesão nodular em coxa esquerda. Inicialmente a lesão era circusncrita, bem delimitada e indolor. Evoluiu com crescimento lento da lesão e com a presença de sinais flogísticos (calor, eritema e edema). Não havia ao diagnóstico organomegalias, febre ou perda de peso. O aspirado de medula óssea era normal. O exame histopatológico do material obtido por biópsia incisional da lesão, juntamente com a imunohistoquímica levou ao diagnóstico de Linfoma Linfoblástico (Negativo: CD3, CD20, CD79a, Desmina, Miogenina, MPO, CD45RO, OTD4 e Positivo: TdT, LCA, CD99). Foi então iniciado esquema quimioterápico pelo Protocolo Brasileiro para Tratamento de Linfoma Não Hodgkin e atualmente a paciente encontra-se em remissão.
Apesar de raro em crianças, o diagnóstico de linfoma cutâneo deve ser considerado na abordagens dos nódulos cutâneos e, diferentemente dos casos relatados em adultos, o prognóstico na infância tende a ser melhor.
A leucoencefalopatia posterior reversível é uma síndrome clínico-radiológica caracterizada por cefaléia, alteração do estado mental, crises convulsivas e distúrbios visuais. A sua ocorrência está associada ao uso de quimioterápicos potencialmente neurotóxicos como a vincristina.
Descrever um caso de leucoencefalopatia posterior reversível em paciente submetido a tratamento quimioterápico com vincristina.
Paciente do sexo masculino de 12 anos de idade, portador de hepatocarcinoma. Apresentava alteração da função hepática previamente ao início da quimioterapia (TGO 108 U/L, TGP 90 U/L, FA 510 U/L, GGT 864 U/L, Bbt 2.34 mg/dl, BbD 2,28 mg/dl). Dois dias após o primeiro ciclo de quimioterapia com cisplatina, 5-fluorouracil e vincristina iniciou quadro de dor em região da parótida bilateralmente, que foi seguida, após 48 horas, por crises convulsivas tônico-clônicas generalizadas e aumento dos níveis pressóricos. Após o período pós-ictal da última crise, evoluiu com quadro de confusão mental e alucinações visuais, com duração de aproximadamente 15 dias, com melhora completa e sem seqüela neurológica. Foram realizadas, durante o quadro de alteração neurológica, duas tomografias computadorizadas de crânio, com intervalo de 8 dias, que evidenciaram áreas quase simétricas de hipoatenuação parieto-occipitais comprometendo as substâncias branca e cinzenta compatível com leucoencefalopatia posterior reversível. O paciente, posteriomente, foi submetido a outros ciclos de quimioterapia sem vincristina, não apresentando novos episódios de alterações neurológicas.
Pacientes com alteração da função hepática são mais susceptíveis a desenvolverem quadros de toxidade a vincristina. A leucoencefalopatia posterior reversível, apesar de rara, é uma neurotoxicidade que deve ser lembrada nos casos de alterações neurológicas em pacientes submetidos a quimioterapia com drogas sabidamente neurotóxicas como a vincristina e a cisplatina.
Os tumores associados ao vírus da imunodeficiência adquirida (HIV) são considerados doenças definidoras de AIDS. Sabe-se que o vírus pode alterar a imunidade anti-tumoral e estimular as mutações celulares. As crianças com HIV têm maior risco de apresentar doenças malignas comparadas às crianças em geral.
Foi estudada a apresentação dos tumores em crianças com HIV no Centro de Referência em Doenças Infecto-Parasitárias de Belo Horizonte, através da análise retrospectiva dos prontuários entre o período de 1998 e 2005.
Foram encontrados quatro tumores em 402 crianças (três linfomas não-Hodgkin e um retinoblastoma) com incidência de 2,05/1000 pessoas-ano (IC: 0,56 – 5,25). A idade média ao diagnóstico do tumor foi de seis anos. Os locais acometidos foram olhos, linfonodos, medula e pele. Os sintomas variaram entre lesão expansiva (2), claudicação (1) e dor na pele (1). Três crianças faziam uso de terapia antiretroviral altamente ativa (HAART) e uma tiveram o diagnóstico do HIV junto ao diagnóstico do tumor. Três pacientes apresentavam imunodepressão importante (CD4 < 15%) no momento do diagnóstico do tumor, e a carga viral variou de indetectável a 120.000 cópias (5,3 log). O diagnóstico ocorreu em média 22 meses após o inicio da terapia antiretroviral (TARV) e não houve relato de intolerância aos medicamentos durante a quimioterapia (QT). Dois pacientes evoluíram para óbito, um encontra-se em remissão da doença e o outro em tratamento.
Apesar do advento da HAART, os tumores malignos permanecem como causa importante de mortalidade e morbidade nos pacientes com HIV. A apresentação dos tumores foi variada, mostrando a importância do diagnóstico diferencial com outras doenças. A incidência dos tumores foi próxima à incidência observada em outros estudos, tendo ocorrido nos primeiros anos de uso da HAART. Depressão celular significativa esteve presente em três pacientes à época do diagnóstico do tumor. Dois pacientes apresentaram boa evolução em uso de QT e TARV. O controle adequado da doença de base nessas crianças é parte integral do tratamento dos tumores.