Estudo "Câncer na criança e no adolescente no Brasil" mostra que cerca de 30% dos casos oncológicos em pessoas com até 18 anos são da doença sanguínea, sendo o tipo de câncer mais frequente na faixa etária. Entre elas, crianças de 1 a 4 anos são as mais afetadas, com índice de 31%.
Após um ano de idade e até o final da adolescência, o câncer é a primeira causa de mortes por doença. Porém, cerca de 70% dos casos podem ser curados.

Especialistas e interessados discutem aspectos médicos e científicos na área de oncologia pediátrica
Naíma Saleh

Esse ano, São Paulo foi a cidade escolhida para sediar o 41º Congresso da Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica (SIOP), que ocorreu entre os dias cinco e nove de outubro, nas dependências do Hotel Transamérica. Cerca de 1.200 incritos de 63 nacionalidades diferentes participaram do evento.
Para crianças pequenas, freqüentar escolas, parquinhos ou outros ambientes em que elas encontrem seus pares pode ter mais benefícios do que simplesmente estimular a sociabilidade. Um estudo sugere que esse tipo de contato pode reduzir em 30% o risco de leucemia linfóide aguda (LLA), o tipo mais comum de câncer infantil. Feito por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Berkley, o trabalho dia 29 de abril foi apresentado no congresso Leukaemia Causes and Prevention, em Londres.
Mais uma novidade no estudo do neuroblastoma. Pesquisa de um grupo internacional detectou que indivíduos com uma variação genética no cromossomo 6 são mais susceptíveis ao desenvolvimento da neoplasia – e de uma forma particularmente agressiva. Liderado por John Maris, do Hospital Infantil da Filadélfia, nos Estados Unidos, o trabalho foi publicado dia 7 de maio, na edição online do “New England Journal of Medicine”. Foram analisadas amostras de sangue de 1.032 de crianças com neuroblastoma, contra 2.043 amostras de crianças saudáveis, que constituíram o grupo de controle.
Um estudo retrospectivo publicado na edição de 1º de abril do “Journal of Clinical Oncology” traz boas notícias para quem acompanha casos sem possibilidade de cura, uma das situações mais difíceis em oncologia pediátrica. A importância que os cuidados paliativos adquiriram durante os últimos anos se refletiu diretamente na qualidade de vida desses pacientes, e eles hoje apresentam menores níveis de sofrimento. Liderada por Joanne Wolfe, do Dana-Farber Institute, nos Estados Unidos, a pesquisa revisou os arquivos médicos de 119 pacientes de câncer infantil falecidos entre 1997 e 2004.
Um trabalho apresentado no encontro anual da American Association for Cancer Research (AACR)– que ocorreu entre 12 e 16 de abril em San Diego (EUA) – pode trazer boas contribuições para o tratamento do neuroblastoma, um dos tumores extracranianos mais freqüentes em crianças. O gene ornitina descarboxilase (ODC1) despontou como um possível marcador para a neoplasia, capaz de indicar o prognóstico dos pacientes. A pesquisa foi feita por Michelle Haber, do Children’s Cancer Institute da Austrália, e sua equipe.
Um estudo feito no Japão questiona a idéia de que políticas de rastreamento em massa não influem na mortalidade do neuroblastoma, um dos tumores extracranianos pediátricos mais comuns. O trabalho, publicado online em 5 de abril na "The Lancet", analisa os resultados de um programa vigente no país entre 1984 e 2003 que rastreou milhões de crianças com idade entre seis meses e um ano.
O projeto Oncopediatria, que objetiva estabelecer uma rede de telemedicina em oncologia pediátrica, não poderia deixar de marcar presença no I Simpósio Internacional: TeleSaúde e Registro no Sistema Único de Saúde (SUS), realizado em Belo Horizonte (MG), no final de maio. Das três instituições de pesquisa que desenvolvem o projeto - Instituto Edumed, Departamento de Informática em Saúde da Escola Paulista de Medicina e Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI) da Escola Politécnica de São Paulo - duas estiveram representadas no evento.
Os tumores cerebrais embrionários pediátricos têm prognóstico cada vez melhor se diagnosticados precocemente. A sobrevida maior, porém, exige atenção para a qualidade de vida que os pacientes curados terão. A interação entre o tumor e o tratamento implica uma série de efeitos sobre o desenvolvimento das crianças e jovens.
A fusão de duas novas tecnologias promete boas novidades na área de diagnóstico por imagem em oncologia. Pesquisadores da Universidade Eberhard Karls, na Alemanha, desenvolveram um aparelho multislice que combina a tomografia por emissão de posítrons (PET, na sigla em inglês) com a ressonância magnética (RMI, na sigla em inglês).
O vírus respiratório sincial (VRS) é uma causa comum de infecção respiratória em crianças e adolescentes. A infecção já é séria em crianças saudáveis, mas torna-se potencialmente fatal em pacientes imunodeprimidos. Nos casos de câncer pediátrico, a infecção por VRS pode comprometer seriamente o tratamento e provocar a morte. E, segundo um novo estudo feito nos Estados Unidos e publicado na edição de fevereiro da revista Pediatrics, os pacientes com menos de dois anos ou com linfopenia severa são os mais predispostos a ter uma manifestação grave deste tipo de problema.
A taxa de sobrevivência da leucemia mielóide aguda (LMA) infanto-juvenil teve um aumento constante nas últimas décadas. No entanto, a literatura médica ainda tem poucos estudos que verifquem as conseqüências, tanto médicas como psicossociais, que a doença tem sobre os pacientes curados. Para preeencher esta lacuna e saber como vive hoje quem teve a neoplasia na infância e na adolescência, pesquisadores norte-americanos fizeram uma pesquisa com 275 pacientes curados de LMA, tratados entre 1970 e 1986.
Embora seja uma doença mais comum nos adultos, o carcinoma colorretal, quando ocorre nos pacientes pediátricos, é mais associado ao diagnostico tardio e ao prognóstico pior. Porém, como se trata de uma neoplasia rara, ainda há pouca documentação a respeito. Com o objetivo de preencher esta lacuna, um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos fez uma extensa pesquisa sobre a manifestação pediátrica da neoplasia.
A eficácia do PET-CT para diagnóstico e tratamento de câncer adulto já está amplamente documentada na literatura médica. Trata-se do único método que permite obter, em um único exame, imagens de corpo inteiro que verificam as características anatômicas dos pacientes e o comportamento metabólico dos tumores. Nos casos de câncer pediátrico, embora o número de estudos a respeito seja bem menor, a percepção é que o bom desempenho do procedimento se repete.
Entre as crianças e adolescentes com câncer, o consumo do cigarro – ou a simples exposição à fumaça – tem conseqüências excepcionalmente graves. Para debater este assunto, que pode comprometer seriamente o tratamento, o St.Jude Children’s Research Hospital exibe no dia 4 de fevereiro o webcast “Tobbacco Control Efforts in the Pediatric Oncology Setting: The role of the clinician” (Controle do Tabagismo em Oncologia Pediátrica: o Papel do Médico).
A leucemia recidivada em crianças e adolescentes, embora seja pouco freqüente, normalmente não tem prognóstico favorável, e por isso se beneficia do emprego de novas modalidades terapêuticas. A temozolomida – já utilizada para o tratamento de gliomas – é uma das alternativas em estudo, pois inibe o crescimento de células leucêmicas. Entretanto, alguns pacientes costumam resistir ao uso da droga, mesmo no caso dos gliomas, por razões ainda desconhecidas.
A nutrição nos pacientes pediátricos submetidos ao transplante de medula óssea (TMO) é o tema do novo trabalho incorporado ao banco de teses do Portal Oncopediatria. Trata-se de um artigo feito pela oncologista pediátrica Adriana Seber, do Instituto de Oncologia Pediátrica/Graacc-Unifesp, em parceria com Adriana Garófalo, nutricionista da mesma instituição. No trabalho, as autoras abordam a importância de uma boa avaliação nutricional das crianças e adolescentes que passam pelo TMO, procedimento de grande toxicidade para o trato gastrointestinal.
Cada vez mais, os avanços na medicina permitem às crianças e jovens terem sucesso na luta contra o câncer. No entanto, enfrentar uma neoplasia maligna pediátrica não deixa de causar desgaste ou transtorno emocional, mesmo após um tratamento bem-sucedido. Foi com o objetivo de verificar as características e a extensão dessas complicações que um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos analisou a trajetória de 390 pacientes curados de câncer infantil, e avaliou a possível relação entre o tratamento da doença e o surgimento de problemas psicológicos.
Um trabalho publicado na edição de outubro da revista Blood traz novas pistas para o entendimento da leucemia linfoblástica precursora aguda de células T (LLA-T). Uma análise de amostras de sangue de recém-nascidos através do método PCR (Reação de Polimerização em Cadeia) indicou que na maior parte dos casos a doença provavelmente se desenvolve após o nascimento, e não no útero, ao contrário da hipótese que prevalecia até então.
O consentimento informado por parte dos pais é um pré-requisito para a realização de certos procedimentos médicos em crianças e adolescentes com câncer, especialmente os mais delicados. Por consentimento informado, entende-se uma autorização dada com plena ciência do que será feito, dos riscos e conseqüências. No entanto, em meio ao desgaste inerente ao período de tratamento e à ansiedade para ver o filho curado logo, nem sempre os pais estão plenamente cientes daquilo que permitem ou não.
O desejo de morrer em casa é comum em grande parte dos pacientes de câncer infantil sem possibilidade de cura. Neste momento crucial e delicado de suas vidas, essas crianças e jovens, assim como suas famílias, precisam de estratégias especiais de cuidado e acompanhamento, para que este período final transcorra da melhor maneira possível. Com o objetivo de propor um modelo de assistência que permita concretizar a vontade de falecer em casa, pesquisadores da Inglaterra fizeram um estudo com 185 pacientes fora de possibilidade terapêutica espalhados por 22 centros de saúde do país.
Em uma porcentagem cada vez menor dos casos de câncer pediátrico, não é possível vencer a doença, e a morte se torna uma possibilidade concreta para os jovens pacientes. Para entender melhor as características dessas crianças e adolescentes sem possibilidade terapêutica curativa, pesquisadores holandeses do Radboud University Nijmegen Medical Centre (RUNMC) fizeram um levantamento dos sintomas físicos, psicológicos e sociais que elas e seus familiares apresentavam nessas circunstâncias.
Os efeitos tardios e colaterais do tratamento de um câncer podem ter as mais diversas implicações sobre a vida de uma criança ou adolescente. Com o objetivo de descrever a qualidade de vida relativa à saúde (QVRS) nos pacientes curados de neoplasias infantis e entender melhor quais fatores implicam qualidade de vida pior, pesquisadores norte-americanos conduziram um estudo publicado na edição de agosto da revista “Pediatric Blood and Cancer”.
Parcela expressiva dos sobreviventes de leucemia linfoblástica aguda (LLA) e linforma não-Hodgkin de linhagem T (LNH-T) recebeu radiação craniana durante a terapia. Para mensurar a ocorrência de novos tumores em quem recebeu esse tipo de tratamento, pesquisadores de Israel fizeram uma pesquisa com pacientes curados dessas duas neoplasias, tratados no departamento de hematologia e oncologia do Schneider Children's Medical Center entre 1974 e 1997. O trabalho foi publicado na edição de setembro da revista “Pediatric Blood and Cancer”.
Como já é amplamente sabido, o prognóstico da leucemia linfóide aguda (LLA) pediátrica melhorou signficativamente nas últimas décadas. Se nos anos 60, nos Estados Unidos, o índice de cura da doença mal atingia os 30%, hoje essa porcentagem oscila entre 80 e 86%. Os números animadores, no entanto, sinalizam a necessidade de atenção especial aos pacientes curados, que tendem a aumentar cada vez mais e a viver mais tempo com eventuais seqüelas da doença e do tratamento.
A tese de doutorado da onco-hematologista pediatra, Mariana Bohns Michalowski, “Estudo das Alterações Epigenéticas dos Tumores Infantis: os casos dos Ependimomas e dos Neuroblastomas”, é o novo trabalho incluído no banco de teses. Defendida na Universidade Joseph Fourier, em Grenoble, na França, em 2006, a tese aborda um novo mecanismo de desenvolvimento tumoral descrito como hipermetilação dos genes supressores de tumor (GST), modificações ditas “epigenéticas”, pouco estudas nos cânceres da infância.
A detecção precoce é um dos fatores mais importantes para o sucesso no tratamento do câncer infantil. Entretanto, nem sempre descobrir a doença logo no início é possível. Com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre diagnóstico tardio de câncer pediátrico, Eduardo L. Franco e Tam Dang-Tan, pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, analisaram 23 pesquisas (publicadas até abril de 2007) que avaliassem qualquer tipo de atraso na detecção da neoplasia e suas respectivas causas. O artigo foi publicado na edição de 17 de agosto da revista “Cancer”.
Enquanto os adultos curados de câncer infantil têm seu estado de saúde mental em níveis equiparados ao da população em geral, o mesmo não se verifica em sua saúde física, que parece se deteriorar mais rapidamente ao longo do tempo, segundo um estudo publicado na edição de agosto do International Journal of Cancer. O trabalho foi feito por pesquisadores da Universidade de Birmingham, no Reino Unido.
Uma pesquisa feita na Finlândia detectou que as crianças que receberam radiação para tratamento do câncer cerebral tendem a tirar notas mais baixas do que seus colegas. Entretanto, a maior parte dos pacientes investigados completou o ensino fundamental na idade apropriada. O trabalho, feito por pesquisadores da Universidade Turku, foi publicado na edição de julho da revista "Neurology”.
Um novo estudo feito nos Estados Unidos sugere que muitos adultos curados de leucemia infantil praticam pouco ou nenhum exercício, um hábito que pode contribuir significativamente para aumentar o risco de surgirem novos problemas de saúde.
A tendência ao sedentarismo de muitos ex-pacientes infantis de leucemia linfoblastica aguda (LLA) pode ser mais um entre os efeitos adversos do tratamento do câncer. Entretanto, no Brasil, não existem parâmetros científicos que comprovem que os adultos curados de LLA do país sejam mais sedentários que a população em geral.
A esterilidade é um dos efeitos tardios mais comuns do tratamento de câncer pediátrico, e muitas vezes fica em segundo plano nas prioridades da equipe médica, tamanha é a concentração de esforços na cura da doença. Porém, através de algumas estratégias é possível evitar que a infertilidade se torne uma condição inexorável e permanente na vida dos jovens pacientes.
A tese de doutorado “Estudo Comparativo para o Tratamento de Crianças com Neuroblastama Avançado”, da médica Lilian Maria Cristofani, entra no portal Oncopediatria a partir de hoje. O estudo foi apresentado à Universidade de São Paulo, tendo como orientador dr. Vicente Odone Filho. Aumentar a sobrevida dos pacientes com neuroblastoma avançado e maiores de 1 ano de idade é ainda um desafio para a oncologia pediátrica.
Os fatores de sofrimento mental entre os pacientes curados de câncer infantil são uma preocupação recorrente dos profissionais de saúde. Para avaliar os fatores de tensão psicológica entre os pacientes curados de tumores sólidos pediátricos, um grupo de pesquisadores norte-americanos comparou as observações feitas pelos pacientes curados e seus irmãos, que não tiveram câncer. O trabalho será publicado na edição de julho da revista "Pediatric Blood and Cancer".
Cada vez mais freqüente entre crianças e jovens, a obesidade já foi definida como “o grande mal do século XX”. No caso de crianças e jovens submetidos ao tratamento de câncer, o excesso de peso é ainda mais preocupante, pois pode estar relacionada com as seqüelas da terapia. Quando um paciente toma altas doses de radioterapia em áreas do crânio e da espinha cervical, pode sofrer com as toxicidades endócrinas que lesam a tireóide.
Quem viveu na infância a difícil experiência de um diagnóstico de câncer pode falar com propriedade sobre os efeitos causados pelo tratamento. Na vida adulta, um ex-paciente que decide pesquisar no campo da oncopediatria tem muito a contribuir com os profissionais da área. Esse é o caso da pedagoga Fernanda de Melo Yoshida, de 24 anos, que, aos 2 anos, foi diagnosticada com leucemia linfóide aguda (LLA).
A maior incidência de obesidade entre os pacientes curados de câncer infantil aumenta o risco de problemas arteriais e vasculares. Porém, a hipertensão e a pré-hipertensão, dois possíveis efeitos tardios da neoplasia, geraram ainda poucas pesquisas. A fim de preencher essa lacuna e verificar as possíveis conexões entre esses efeitos tardios e a obesidade, pesquisadores do Children´s National Medical Center, nos EUA, fizeram uma investigação com pacientes curados que fazem acompanhamento na instituição. O trabalho será publicado na edição de julho da revista "Pediatric Blood and Cancer"
Um em cada quatro pacientes com câncer acredita que a psicoterapia pode prolongar suas vidas, crença respaldada por alguns estudos publicados no passado. Entretanto, em um trabalho publicado na edição de maio da revista "Psychological Bulletin", pesquisadores da Universidade da Pensilvânia contradizem essa associação e afirmam que a psicoterapia e os grupos de apoio emocional, embora possam melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes, não têm qualquer influência na sobrevida.
Pacientes pediátricos curados de leucemia e linfoma - dois dos mais comuns tipos de câncer infantil - formam a população de sobreviventes que correm o maior risco de desenvolver uma segunda neoplasia maligna. Quantificar esse risco, com base em 13 registros populacionais foi o objetivo de um estudo publicado na edição de maio do "Journal of the National Cancer Institute".
O melanoma é um câncer raro em pacientes pediátricos. A incidência, as características e as diferenças do tumor entre crianças, adolescentes e adultos jovens foram tema de um estudo conduzido por pesquisadores de Johns Hopkins Medicine publicada na edição de abril do Journal of Clinical Oncology.
Os autores analisaram dados do National Cancer Data Base, obtidos entre os anos de 1985 e 2003. A população pesquisada foi dividida em dois grupos: o primeiro de pacientes com entre 1 e 19 anos e o segundo de pacientes com entre 20 e 24 anos.
O Projeto Escola Móvel/Aluno Específico do Instituto de Oncologia Pediátrica/Graacc/Unifesp, em São Paulo, foi o cenário de investigação da dissertação de mestrado da professora Amália Neide Covic divulgada nesta newsletter. O estudo “Atendimento Pedagógico Hospitalar: convalidando uma experiência e sugerindo idéias para a formação de educadores” foi apresentado à Banca Examinadora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), sob a orientação da professora-doutora Myrtes Alonso.
A tese da oncologista pediatra Mara Albonei Dudeque Pianovski é divulgada desta edição da newsletter do portal Oncopediatria. O estudo "Aspectos Epidemiológicos e Expressão de SF-1 e DAX-1 dos Tumores de Córtex Adrenal de Crianças no estado do Paraná” foi apresentado ao programa de Pós-Graduação em Saúde da Criança e do Adolescente, do Departamento de Pediatria do Setor de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Paraná, com orientação do professor-doutor Bonald Cavalcante de Figueiredo.
Ter baixa uma estatura na idade adulta é um risco enfrentado pelos pacientes curados de Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), segundo estudo publicado na edição de abril do "Journal of Pediatrics".
Em crianças e adolescentes portadores de Leucemia Linfoblástica Aguda, um índice de massa corpórea (IMC) elevado pode provocar o surgimento de osteonecrose, diz um estudo publicado na edição de 20 de abril do Journal of Clinical Oncology. No trabalho, pesquisadores da Universidade de Oulu verificaram a incidência e os fatores de risco da osteonecrose radiográfica entre os pacientes de LLA, tratados com os protocolos nórdicos da neoplasia.
Nesta edição, a dissertação de mestrado do médico Wellington Mendes é divulgada. Trata-se da pesquisa “Análises das Características Clínico-Epidemiológicas e de Sobrevida dos Casos de Câncer Pediátrico do Centro de Tratamento e Pesquisa Hospital do Câncer de São Paulo, 1988, 1991, 1994 e 1997”, apresentada à Fundação Ântonio Prudente. O estudo de Mendes contou com a orientação de dra. Beatriz de Camargo.
A tese de doutorado do médico Antonio Gonçalves de Oliveira Filho é divulgada nesta edição do Portal Oncopediatria. A tese “Valor da Quimioterapia Pré-Operatória no Tratamento do Tumor de Wilms” foi apresentada à sub-comissão de pós-graduação em cirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP. A pesquisa para a obtenção do título de Dr. Antonio Gonçalves foi orientada pelo professor doutor Joaquim Murray Bustorff Silva da UNICAMP.
As crianças e adolescentes com sarcoma correm maior risco de eventos tromboembólicos, especialmente aqueles que enfrentam a doença metastática, diz um novo estudo publicado na edição de 20 de abril do “Journal of Clinical Oncology”.
Pesquisadores revisaram os arquivos de 122 pacientes, com idade média de 18 anos, diagnosticados com a doença e tratados na unidade de pediatria do National Cancer Institute, nos EUA, entre outubro de 1980 e julho de 2002.
Se a acupuntura, que ganhou status de especialidade médica nos últimos anos, provoca arrepios em muitos adultos por causa das agulhas, pode parecer impossível aplicar esse tratamento em crianças. Mas, na prática, os pacientes mirins são mais receptivos, de acordo com especialistas. Porém, o profissional precisa conquistar a confiança das crianças, ao mesmo tempo em que os pais devem demonstrar tranqüilidade na hora da aplicação terapêutica.
A obesidade, ocorrência comum entre os pacientes pediátricos curados de leucemia linfoblástica aguda (LLA) e linfoma, aparentemente está mais relacionada ao índice de massa corpórea (IMC) verificado ao diagnóstico do que aos efeitos colaterais do tratamento, segundo estudo publicado na edição de 1o de abril do “Journal of Clinical Oncology”.
Nesta edição, o portal Oncopediatria divulga a dissertação de mestrado da oncologista pediatra Adriana Seber. Com o título “Infusão de Leucócitos do Doador para o Tratamento da Recidiva de Doenças Hematológicas Malignas Após Transplante de Medula Óssea Alogênico”, o estudo foi apresentado à Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina, tendo como orientador dr. Antonio Sérgio Petrilli.
A dissertação de mestrado da oncologista pediatra Maria de Fátima Valente Rizzo inaugura o canal de dissertações e teses acadêmicas de mestrado e doutorado aberto pelo portal Oncopediatria. Com o título “Avaliação da Função Gonadal Masculina em Pacientes Adolescentes, Submetidos a Tratamento Quimioterápico, com Prévia Criopreservação do Sêmen”, o estudo foi apresentado à Universidade Federal de São Paulo, tendo como orientador dr. Antonio Sérgio Petrilli e co-orientadora dra. Eliana Maria Monteiro Caran.
Uma das toxicidades mais comuns do tratamento contra câncer, a mucosite traz dor e muito desconforto ao paciente e compromete, em muitas situações, sua fala, sua deglutição e sua higiene bucal. Nas crianças com câncer, a mucosite ocorre em 65% dos casos, porcentagem que entre adultos cai para 40%.
A dissertação de mestrado da médica Maria do Socorro Mendonça de Campos é divulgada nesta edição, demonstrando que a participação do público no canal de teses e dissertações do Portal tem aumentando. O estudo “Características de Pacientes com Tumor de Wilms em Serviço de Referência do Estado da Bahia” foi apresentado à Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, e teve como orientador dr. Antonio Alberto da Silva Lopes.
Quem sobreviveu a um câncer pediátrico tem mais chance de ver a doença se manifestar também em tecidos conectivos como ossos ou músculos, segundo estudo conduzido por pesquisadores da Chicago Pritzker School of Medicine e publicado no “Journal of the National Cancer Institute”.
Um novo estudo conduzido por autores filandeses ofereceu mais indícios de que a reativação do vírus Epstein-Barr (EBV) pode ser associada com algumas ocorrências de leucemia em crianças. A definição exata da proporção em que isso ocorre, no entanto, ainda precisa ser melhor investigada. O trabalho foi publicado em janeiro no “American Journal of Epidemiology”.
Para ampliar permanentemente o conteúdo específico voltado para o médico oncologista pediatra, o Portal Oncopediatria abre um novo canal, o de teses acadêmicas de mestrado e doutorado, defendidas e aprovadas dentro da especialidade. Ao enviar sua tese para a divulgação no portal, os profissioanis de medicina estarão tanto contribuindo quanto se beneficiando com a disseminação democrática e gratuita de informações de qualidade.
Com o objetivo de analisar os possíveis fatores que têm efeito sobre a memória de sobreviventes de tumores cerebrais na infância, bem como examinar em que circunstâncias déficits de memória após a radioterapia podem ser considerados parte de uma disfunção mental global, pesquisadores da Dinamarca realizaram um estudo com 126 sobreviventes de tumores cerebrais diagnosticados antes dos 15 anos. Os pacientes foram tratados entre 1970 e 1997, e 69 deles receberam radioterapia. Além da memória de curta e longa duração, os pesquisadores também consideraram a intelgiência geral dos pacientes.
A infecção hospitalar (IH) é motivo de preocupação entre os profissionais de saúde. Enquanto a média mundial do índice de infecção é de 5%, no Brasil a porcentagem aumenta para 15,5%, segundo levantamento do Ministério da Saúde. Uma média de incidência elevada dificulta o tratamento dos pacientes, aumenta o tempo de internação e encarece as despesas hospitalares.
Para comparar programas de quimioterapia administrada em casa e no hospital, no que se refere a qualidade de vida, segurança, custos e desgaste emocional dos cuidadores, um grupo de pesquisadores do Canadá realizou uma pesquisa com 23 pacientes pediátricos com Leucemia Linfóide Aguda (LLA). O trabalho foi publicado na revista “Pediatric Blood and Cancer”.
A coleta prospectiva e padronizada dos dados dos prontuários de pacientes com sarcoma de Ewing e a análise desses resultados a cada três meses têm sido consideradas pelos investigadores nacionais como os aspectos mais significativos em relação ao tratamento dessa neoplasia. Quem afirma é dr. Algemir Brunetto, oncologista pediátrico e coordenador do grupo cooperativo, que, durante sua exposição no X Congresso Brasileiro de Oncologia Pediátrica, em novembro de 2006, mostrou-se bastante entusiasmado com os resultados da pesquisa.
Uma mulher que contraia gripe, pneumonia ou uma doença sexualmente transmissível logo antes ou durante a gravidez pode correr o risco de gerar um filho que sofrerá de leucemia. Pesquisadores da Divisão de Pesquisa de Kaiser Permanente, na Califórnia, sugerem que “a infecção materna pode contribuir para o surgimento da leucemia infantil, sobre a qual já se postulou, inclusive, que pode ser de origem infecciosa”, diz Marilyn L. Kwan, uma das autoras do trabalho, publicado na edição de janeiro da American Journal of Epidemiology.
A maioria dos protocolos de tratamento antineoplásico dos tumores pediátricos pode causar infertilidade. Mas, no momento do diagnóstico, quando as preocupações se concentram na terapia e cura do paciente, este efeito adverso parece não ser tão relevante. Quando o câncer é de testículo ou de ovário, que compromete diretamente o órgão reprodutor humano, o risco da esterilidade na vida adulta é um fator a mais, que vai depender do órgão preservado desenvolver-se normalmente.
O maior do risco de leucemia entre crianças portadoras de síndrome de Down aparentemente não tem relação com a exposição à radiação ionizante em exames e acompanhamentos médicos, escreveram pesquisadores do Children's Oncology Group (COG) na edição de novembro da revista Pediatrics.
Os sobreviventes de leucemia e tumores cerebrais pediátricos têm mais chance de sofrer um derrame ao longo da vida, demonstraram pesquisadores da Souhwestern medical School, na Universidade do Texas. Esse risco é especialmente acentuado entre aqueles que receberam radioterapia craniana com doses superiores a 30 Gy. O trabalho foi publicado na edição de 20 de novembro do Journal of Clinical Oncology.
As práticas sexuais desprotegidas ou o não conhecimento de todas as formas possíveis de transmissão dos vírus que têm potencial oncogênico, capazes de induzir alterações celulares que culminam com a formação de neoplasias malignas, foram tema de uma conferência no X Congresso Brasileiro de Oncologia Pediátrica. A abordagem das DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e Câncer esteve voltado aos cuidados com a população de adolescentes.
Complicações venosas ocorrem com freqüência entre os pacientes de câncer pediátrico, e não são suficientemente bem documentadas, segundo estudo publicado na edição de 1o de outubro do Journal of Clinical Oncology. O trabalho foi conduzido pelos pesquisadores Janna M. Journeycake e George H. Buchanan, do Children's Medical Center, nos EUA. “Muitos pacientes de câncer pediátrico com cateter venoso central sofrem de complicações recorrentes e precisam remover o artefato”, diz Journeycake. “As complicações mais comuns incluem mau funcionamento, oclusão, bacteremia e trombose”.
A adenomegalia é uma das alterações mais comuns na infância que, muitas vezes, cabe ao pediatra avaliar e tomar a conduta mais adequada para confirmar ou excluir uma patologia como câncer, tuberculose ou HIV. Trata-se de um aumento dos linfonodos que pode surgir ao longo da cadeia linfática existente no organismo. Normalmente, a adenomegalia é uma reação a processos inflamatórios de doenças benignas, como amigdalite, que são freqüentes em crianças, regredindo espontaneamente. Porém, a causa do aumento do gânglio linfático deve ser sempre muito bem investigada.
O carcinoma nasofaríngeo (CNF), tumor raro que representa cerca de 0,2% de todas as doenças malignas, é mais comum entre os jovens negros menores de 20 anos do que entre os membros de outros grupos étnicos da mesma faixa etária. A conclusão é de um grupo de pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade da Carolina do Norte. O trabalho foi publicado na edição de outubro do periódico Archives of Otolaryngology – Head and Neck Surgery.
Apesar de todo avanço observado na área farmacêutica ao longo das últimas décadas, náusea e vômito permanecem como dois dos mais temidos e estressantes efeitos colaterais para os pacientes de câncer e suas famílias, de acordo com o National Cancer Institute. No que se refere à oncologia pediátrica, a afirmação também é válida. O progresso das opções de tratamento possibilita o uso de agentes quimioterápicos cada vez mais potentes, que acarretam efeitos adversos significativos, dentre os quais náusea e vômito ocupam posição destacada.
O câncer tem efeitos sobre o sistema oftalmológico das crianças e adolescentes, embora as alterações sejam pouco freqüentes e em geral não se manifestem de maneira intensa. O transplante de medula óssea (TMO) merece toda a atenção neste aspecto, pois pode ter algumas das conseqüências mais sérias.
Ao longo das décadas, o tratamento do linfoma de Hodgkin já evoluiu muito, e hoje já atinge 95% de cura em seu estágio inicial. Entretanto, para os oncologistas pediátricos, o grande desafio a superar está no manejo preciso e adequado da doença refratária e recidivada. Com o objetivo de debater esta questão, dr. Scott Howard, oncologista pediátrico americano do St. Jude, apresentou a conferência “Doença de Hodgkin Refratária e Recidivada”, uma palestra concorrida durante o primeiro dia dos trabalhos do X Congresso Brasileiro de Oncologia Pediátrica.
Técnica da milenar medicina chinesa que desde os anos 70 atrai cada vez mais adeptos entre os ocidentais, a acupuntura pode ser uma interessante terapia complementar para o tratamento de câncer pediátrico. Embora não cure a neoplasia e tenha sempre de ser aplicada em conjunto com a medicina ocidental, a acupuntura aumenta o bem-estar dos pacientes e pode ser também usada para aliviar a dor e os efeitos colaterais da terapêutica e da doença, como náusea, tontura, náusea e vômito.
A criança e o adolescente com câncer necessitam de suporte nutricional adequado em função dos efeitos adversos do tratamento como a imunossupressão, que os tornam vulneráveis às infecções. Porém, quando o paciente é submetido ao transplante de medula óssea (TMO), a nutrição exerce um papel ainda maior, especialmente porque ele pode apresentar entre outras complicações a doença do enxerto-contra-hospedeiro com envolvimento do trato gastrointestinal.
Os protocolos atuais de tratamento de câncer infantil procuram adiar ou suprimir a radioterapia, mas nem sempre isso é possível. Além dos efeitos tardios da radioterapia, há também um outro aspecto imediato que exige cautela: no caso da criança pequena, pode ser necessária a aplicação de anestesia.
Crianças e adolescentes com câncer que estão internados em unidades de terapia intensiva (UTIs) ou em enfermarias de hospitais durante longos períodos tendem a apresentar mais sintomas de estresse do que aqueles que se tratam no ambulatório, retornando às suas casas após os procedimentos. “O tratamento de câncer acarreta um estresse grande, mas quando a criança está no hospital-dia, ela ainda pode voltar para casa.
A mucosite do trato alimentar é um dos efeitos adversos mais comuns do tratamento contra câncer – acomete entre 60% e 90% dos pacientes, sejam eles adultos ou crianças. Trata-se de uma reação tóxica e inflamatória que afeta todo o trato gastroentestinal, provocada pela quimioterapia, pela radioterapia ou por ambas. Tem quatro graus de gravidade distintos e pode manifestar-se de diversas formas, desde pequenas ardências ou eritemas até sangramentos e ulcerações que podem comprometer seriamente a fala e a deglutição dos pacientes.
Novos estudos com as drogas surgidas nos últimos 20 anos para o tratamento contra o câncer infantil têm entusiasmado os pesquisadores da área, para conhecer as respostas desses indivíduos aos fármacos e suas toxicidades. O foco dos estudos concentra-se em pacientes refratários e que recaem após o tratamento.
Quando surgiu em 2001, o Glivec (mesilato de imatinibe) mudou o perfil de tratamento da leucemia mielóide crônica (LMC), e foi tão bem recebido que obteve a liberação pelo FDA (Food and Drug Administration) em apenas dois meses e meio. No que se refere à sua aplicação pediátrica, houve um entusiasmo semelhante. Em 2003 o FDA liberou o medicamento para pacientes infantis com LMC Ph+, muito antes da conclusão de estudos de fase 3.
Parcela significativa dos pacientes tratados de câncer infantil tem pensamentos suicidas ou já tentou tirar a própria vida, mesmo muitos anos após o fim do tratamento. Pacientes que permaneceram com dor ou seqüelas físicas da doença são particularmente vulneráveis.
A indicação de transplante de fígado em crianças com hepatoblastoma - câncer hepático mais comum em pacientes com menos de 3 anos de idade - não deve ser feita como último recurso terapêutico. “O transplante não é a última opção, quando não há mais nada a fazer”, afirma o professor João Gilberto Maksoud, chefe de transplante do Instituto da Criança, em São Paulo.
Ao contrário do que o senso comum normalmente imagina, o câncer de mama na adolescência não é impossível. Em determinadas circunstâncias, a doença pode sim atacar adolescentes, ainda que com uma taxa de incidência baixa, em torno de 0,09% dos casos. “O câncer de mama não respeita idade nem sexo”, diz Dra. Lair Ribeiro, presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia. “Mas, na adolescência, os carcinomas freqüentes em mulheres mais velhas são raríssimos”.
O tratamento de câncer expõe o paciente pediátrico a diversas situações estressantes: novos ambientes, novos horários, pessoas desconhecidas, procedimentos dolorosos e, em alguns casos, restrição do convívio social e escolar. Nessa situação, o ato de brincar adquire um significado maior do que simplesmente recreação ou ocupação do tempo ocioso.
Erros na medicação são uma das falhas médicas mais comuns. Quando em tratamento doméstico, as crianças com LLA são particularmente propensas a essa ocorrência. Aproximadamente um em cada cinco pacientes nessa situação costuma sofrer uma falha em sua medicação, de acordo com um estudo publicado na versão online da revista Cancer em 14 de agosto.
O câncer de testículo na infância é raro (um caso para cada cem mil indivíduos) e, justamente por não se pensar na possibilidade de sua ocorrência nos pacientes infantis, o diagnóstico precoce acaba ficando prejudicado.
Tumores adrenocorticais (TAC) são bastante raros em pacientes pediátricos. Nos EUA e na França, por exemplo, a taxa média de incidência da doença é de, respectivamente, 0,3 e 0,2 casos para cada milhão de crianças com menos de 20 anos. No Sul do Brasil, porém – mais especificamente no Paraná – a situação é um pouco diferente.
A leucemia linfocítica aguda (LLA) é o câncer infantil de maior incidência, totalizando 75% dos casos. Durante muito tempo, quando não havia protocolos terapêuticos de agressividade progressiva, as recidivas extramedulares de sistema nervoso central e testículo – duas regiões principais atingidas na LLA – ocorriam com muita freqüência e interferiam nas taxas de sobrevida da doença.
A trombose é uma ocorrência que merece toda atenção por parte dos profissionais de oncologia pediátrica. As crianças com câncer, embora mais raramente que os adultos, também sofrem com a obstrução das veias e isso pode ter sérias implicações sobre o tratamento e piorar o prognóstico. “Após as complicações inerentes à própria gravidade do câncer, a trombose é um dos principais fatores de mortalidade entre os pacientes infantis”, conta dr.
No meio médico, a videolaparoscopia – método para examinar e realizar cirurgias com tubos de metal inseridos através de um pequeno corte no abdômen com uma câmara de vídeo acoplada – ainda suscita controvérsias. A maioria dos cirurgiões prefere o procedimento convencional, pois permite maior domínio sobre a retirada do tumor, mesmo que em geral o profissional seja obrigado a fazer grandes incisões de tecido. Mas há também os entusiastas do método, por considerá-lo afinado com a filosofia da cirurgia minimamente invasiva.
Pesquisa feita com pacientes de câncer infantil chegou à seguinte conclusão: a picada da agulha é o maior medo delas durante o tratamento. As crianças são submetidas a várias punções venosas para o acesso da quimioterapia e da coleta de exames, numa taxa muito maior do que em outros pacientes.
Mulheres que sobreviveram a um câncer infantil têm um risco significativamente maior de ter menopausa precoce, se comparadas com irmãs que não tiveram a doença, afirma pesquisa do Childhood Cancer Survivor Study. O trabalho foi publicado na edição de julho do Journal of the National Cancer Institute.
A menopausa precoce, definida como a cessação das menstruações antes dos 40 anos, é, “sem dúvida alguma”, causada pelo tratamento contra câncer, disse o dr. Charles Sklar, autor líder do estudo.
A ototoxidade é um problema “sério e recorrente” nos pacientes pediátricos de neuroblastoma tratados com altas doses de componentes derivados de platina, como cisplatina e carboplatina, diz um estudo conduzido pelo Memorial Sloan Kettering Center, em Nova York. O trabalho foi publicado na edição de julho da revista Cancer.
Na década de 70, o tratamento de tumores ósseos infantis como osteossarcoma e Ewing oferecia praticamente uma única alternativa: a amputação da extremidade afetada. Além de radical, o procedimento era apenas paliativo e raramente permitia a cura. Mesmo após perder uma parte do corpo, entre 80 e 85% dos pacientes morriam, com o câncer disseminado nos pulmões ou em outros ossos. Atualmente, a situação é mais animadora, pois o número de cirurgias conservadoras aumentou consideravelmente e as taxas de sobrevida livre de doença estão em torno de 70%.
O câncer infantil e suas respectivas terapêuticas normalmente debilitam as crianças e adolescentes e têm inúmeras seqüelas sobre sua saúde. A fisioterapia exerce um papel fundamental no acompanhamento desses pacientes, e atua tanto na prevenção quanto na recuperação de diversas alterações provocadas pela doença.
No Brasil, profissionais de saúde enfrentam, com freqüência, jornadas extenuantes, baixas remunerações e poucos recursos para exercer seu trabalho. Além disso, especialmente na área de oncologia, médicos e enfermeiros lidam diariamente com sofrimento, fragilidade, dor e tantas outras reações provenientes dos pacientes e suas famílias.
O uso dos anticorpos monoclonais como o rituximab no tratamento de recidivas e casos de linfomas de mau prognóstico esteve entre as discussões durante o Segundo Simpósio Internacional sobre Linfomas Não-Hodgkin em Crianças, Adolescentes e Adultos Jovens, realizado no mês de maio, em Nova York. As pesquisas nesse campo são crescentes, havendo hoje uma série de anticorpos monoclonais aprovados para uso clínico, além de surgirem mais a cada ano.
Ao ingressar na escola, a criança marca sua ligação com a vida estudantil e social. Assim, é necessário oferecer as condições necessárias para que o paciente infanto-juvenil com câncer mantenha o interesse pelo estudo, para não comprometer seu crescimento intelectual e cognitivo. “Se levarmos em consideração que o tratamento é penoso, doloroso e invasivo, a primeira idéia é que a criança não vai querer saber de estudar.
Pessoas que sofreram de câncer na infância têm duas vezes mais chance de ficarem desempregadas do que aquelas que não tiveram a doença, diz estudo conduzido por pesquisadores do Coronel Institute for Occupational Health, do Academic Medical Center em Amsterdã, na Holanda. O trabalho foi publicado na edição de maio da revista Cancer.
Efeito tardio do câncer infantil, a falência ovariana aguda ocorre apenas em uma “pequena amostra” das sobreviventes, segundo estudo feito por pesquisadores do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, em Nova York. As pacientes tratadas com altas doses de irradiação ovariana são as mais susceptíveis ao problema. O trabalho foi publicado na edição de maio do Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism.
Apesar do avanço observado nas últimas décadas, a morte ainda é uma possibilidade concreta para parcela expressiva das pessoas que têm câncer. Para os profissionais de saúde, em especial médicos e enfermeiros, perder um paciente não é uma situação qualquer e pode provocar grande sofrimento, principalmente quando se trata de câncer pediátrico. A questão do luto entre os profissionais de oncologia esteve em pauta no IX Congresso Brasileiro de Psico-Oncologia, que ocorreu em São Paulo entre os dias 29 de abril e 1o de maio.
Assunto que desperta interesse por parte dos profissionais de oncologia, os cuidados paliativos mereceram um simpósio no IX Congresso Brasileiro de Psico-Oncologia.
Os pais, parceiros importantes da equipe médica, conseguem determinar de maneira precisa a qualidade de vida relativa à saúde (HRQL) de seus filhos, especialmente quando as crianças sofrem de câncer. É essa a conclusão de um estudo feito por pesquisadores do St. Jude Children’s Hospital e da Universidade de Memphis, publicado na edição de maio da revista Cancer.
Quando o tratamento de câncer infantil é feito em uma cidade distante do local de origem do paciente, as dificuldades normalmente associadas à doença tendem a aumentar. Afinal, além de precisarem assimilar as informações médicas e diretrizes terapêuticas, a criança e seu acompanhante – na quase totalidade dos casos, a mãe – vão para longe da família e têm de se adaptar ao cotidiano de uma cidade diferente do lugar de onde vieram.
A incidência de neuroblastoma região Sul do Brasil e as respectivas características da doença são o foco principal de uma pesquisa publicada no Journal of Pediatric Hematology/Oncology. O objetivo da pesquisa era avaliar a idade das crianças ao diagnóstico, o estágio e a histopatologia do tumor, e a amplificação do MYCN, relacionando todos esses fatores à sobrevivência dos pacientes.
Catéteres semi e totalmente implantados são regularmente utilizados em oncologia pediátrica, em procedimentos diversos, entre os quais a quimioterapia. Os instrumentos têm por finalidade manter o acesso venoso, possibilitando a infusão de soluções, hemoderivados e fármacos, bem como a coleta e infusão de sangue e a monitorização de parâmetros hemodinâmicos como a pressão venosa central (PVC).
“Eles nada me dizem, mas eu sei. Tenho um tumor. A gente morre... existem crianças que morrem, eu também vou morrer”. Assim lamenta Jeanette, garota de 11 anos que tem um tumor cerebral, entrevistada pela psicóloga francesa Ginette Raimbauld no livro A criança e a morte. De maneira objetiva e singela, a menina exprime em palavras o que muitos adultos talvez preferissem ignorar: quando estão fora de possibilidade terapêutica, crianças têm consciência de seu estado crítico e do fim iminente de sua existência.
O aumento das insuficiências cardíacas em crianças e adolescentes tratados de câncer tem preocupado oncologistas e cardiologistas pediátricos. As causas dessa inquietação são os efeitos cardiotóxicos tardios das drogas antraciclinas, indicadas em vários protocolos contra as neoplasias infantis. Com freqüência, surgem novos casos de miocardiopatia dilatada associada ao uso da droga, complicação que pode levar os pacientes à morte.
Uma investigação do St. Jude Children’s Research Hospital pode ser benéfica para hospitais dotados de poucos recursos financeiros. Pesquisadores ligados à instituição desenvolveram um teste simples e barato que identifica quais crianças com leucemia linfoblástica aguda (LLA) responderam bem à sua primeira série de quimioterapia e podem prosseguir o tratamento com uma terapia menos agressiva. Um texto sobre a pesquisa foi publicado na edição online da revista Blood em março.
A questão da insônia na criança e no adolescente com câncer, assunto ainda pouco explorado por profissionais da oncologia pediátrica, começa a ganhar relevância clínica e acadêmica. Um estudo do Instituto do Sono da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), em parceria com o IOP (Instituto de Oncologia Pediátrica), pretende analisar os distúrbios do sono mais freqüentes entre os pacientes pediátricos e os encaminhamentos a serem adotados.
De 1974 a 2000, os picos de incidência da leucemia linfoblástica aguda (LLA) entre as crianças do Reino Unido parecem ter ocorrido imediatamente após epidemias de gripe (Influenza). Essa possível conexão etiológica é uma das conclusões de estudo conduzida ao longo de 27 anos por pesquisadores da Universidade de Oxford.
Entre 8 e 60% das crianças que enfrentam um câncer sofrem de subnutrição. Trata-se de um problema inerente ao prórprio tratamento, que aumenta os riscos de infecção e compromete o modo como os pacientes reagem à terapêutica. Estudos clínicos demonstram que uma intervenção nutricional adequada permite reduzir os níveis de toxidade e aumentar os índices de sobrevivência.
No próximo Congresso Brasileiro de Oncologia Pediátrica, o adolescente e o adulto jovem recebem, pela primeira vez, todas as atenções dos especialistas que trabalham com câncer infanto-juvenil. O evento acontece de 14 a 18 de novembro, em Salvador, na Bahia, e sua organização encontra-se a todo vapor, com o programa científico em fase de conclusão.
O crescente diagnóstico das neoplasias pediátricas aumenta consideravelmente o número de pacientes em tratamento e, por causa disso, tem sido comum que crianças e adolescentes cheguem ao pronto-socorro com quadros de neutropenia febril.
Diz o ditado que para um bom entendedor, meia palavra basta. Embora se encaixe com perfeição em um sem-número de situações cotidianas, o dito popular não se aplica quando o assunto é a comunicação médico-paciente, especialmente se uma notícia ruim ou o diagnóstico implacável de uma doença grave estão em questão. Nessas circunstâncias, jamais cabem meias palavras, mesmo para o melhor dos entendedores.
O tratamento de câncer envolve múltiplos fatores que influenciam na cura e no suporte aos pacientes. Porém, quando é uma mulher grávida tem a doença os desafios são duplos. De acordo com a literatura médica, de cada mil gestantes, uma desenvolve algum tipo de neoplasia. Nessas circunstâncias, a terapia precisa ser a mais individualizada possível, pois não há como desenvolver um protocolo aplicável a todos os casos. Quando é uma adolescente com câncer quem espera um filho, a situação é ainda mais delicada. Mãe e bebê podem ser salvos?
Manter a vacinação em dia é fundamental para garantir a boa saúde de uma criança. Porém, quando os pequenos sofrem de câncer, cuidados especiais precisam ser tomados, pois nem todas as vacinas podem ser dadas a eles. Durante o tratamento, as vacinas (especialmente aquelas de bactérias ou vírus vivos) aumentam o risco de complicações e respostas adversas por parte dos pacientes, e por isso têm de ter sua aplicação criteriosamente avaliada.
No Aurélio (2004) registra-se que intravenoso é preferível a endovenoso. Também é adequado endoflébico (P. Pinto, Dic. de termos médicos, 1962).
Crianças que sobrevivem a um câncer têm quatro vezes mais chances de desenvolverem outro quando adultos, e estas neoplasias surgem mais cedo do que normalmente aconteceria, de acordo com um novo estudo apresentado nos Estados Unidos. Entretanto, a observação cuidadosa dos pacientes e a atenção aos possíveis sintomas iniciais facilitam a detecção precoce da doença, o que a torna muito mais fácil decurar.
O trabalho em oncologia resulta em grande sobrecarga emocional para os profissionais de saúde, em especial para a equipe deenfermagem, que permanece todo o tempo ao lado do paciente, exercendo a arte eciência do "cuidar", independentemente das chances de curaexistentes. A natureza da patologia impõe desgaste físico, emocional eespiritual aos pacientes, aos familiares eaos profissionais que os assistem diariamente.
Saborear um gostoso alimento é um dos prazeres incontestáveis da vida, ainda mais para crianças e adolescentes. Porém, durante o tratamento contra o câncer, quase sempre os efeitos adversos reduzem o apetite ou impossibilitam o paciente de se alimentar plenamente. Inapetência, constipação, náusea, vômito, alteração no paladar, xerostomia e surgimento de mucosites são algumas das complicações que comprometem a alimentação da criança.
St. Jude Children’s Research Hospital, em conjunto com um consórcio de hospitais e centros de pesquisa norte-americanos, desenvolveu uma nova estratégia para tratar crianças com leucemia mielóide aguda (LMA). O método é baseado no risco de insucesso de cada paciente, e orienta-se por uma técnica de identificação das células leucêmicas altamente precisa.
Uma nova estratégia, que converte pequenas populações de células imunes em soldados capazes de eliminar o neurblastoma pode salvar a vida de muitos pacientes mirins, de acordo com investigações realizadasno St. Jude Children's Research Hospital. O neuroblastoma atinge principalmente as criancas e responde por 8 a 10% do total de casos de câncer infantil. Normalmente, a doença já está espalhada pelo corpo no momento do diagnóstico.
Assim como ocorre em outras regiões do corpo, o tratamento do câncer tem profundo impacto sobre o sistema bucal da criança. Estima-se que sobreviventes de câncer infantil tenham 30% a mais de chance de desenvolver problemas dentais, quando comparados a pessoas sadias. As seqüelas manifestam-se de diversas maneiras e podem ser tanto transitórias quanto permanentes, o que torna o acompanhamento de um odontologista imprescindível antes, durante e após o tratamento.
O comprometimento da audição constitui um comum e sub-reportado efeito colateral das quimioterapias à base de platina, utilizadas para tratar vários tipos de cânceres infantis. É o que diz um estudo publicado na edição de dezembro do Journal of Clinical Oncology. Conduzida por Edward A. Neuwelt, da Oregon Science and Health University, e seus companheiros, a pesquisa acompanhou 63 pacientes, com idades entre 8 e 23 anos, todos eles submetidos a esta quimioterapia.
Atualmente, muito se fala sobre bioética. Surgido nos anos 70, o conceito tem ampla acepção- o conselho de bioética no congresso envolve desde células-tronco até transgênicos. Defensores e opositores da clonagem e dos alimentos geneticamente modificados são algumas faces conhecidas do que é, em sua essência, a ética nas ciências da vida, da saúde e do meio ambiente.
Quem pensa que o Brasil não tem condições de fazer pesquisa clínica em oncologia pediátrica não presta atenção à boa vontade dos médicos do país, que fazem muito e, na maioria das vezes, dispõem de poucos recursos financeiros. "O médico que está ligado a uma instituição é 'batalhador', desdobrando-se para fazer, ao mesmo tempo, produção científica, ensino e assistência", afirma dra. Célia Antoneli, oncologista pediátrica do Hospital do Câncer de São Paulo.Na área desde 1975, ela é a médica responsável pelo protocolo brasileiro de retinoblastoma, câncer de retina mais freqüente do olho.
Cientistas afirmam que um gene normalmente eliminado em um agressivo tipo de câncer infantil impede a expansão da doença para outras partes do corpo da criança, agindo como um verdadeiro "empecilho à metástase". Publicada na revista Nature, a descoberta pode trazer novas perspectivas de tratamento para o neuroblastoma, uma neoplasia bastante mortal que costuma atingir as crianças com cerca de 2 anos.
Sobreviventes infantis do transplante de medula óssea (TMO), cujos sistemas dentários não tenham atingido completa maturidade quando da cirurgia, tendem a sofrer retardo no crescimento da raiz dos dentes, de acordo com um estudo conduzido pelo St. Jude Children´s Hospital. De acordo com os pesquisadores, isso indica que avaliações bucais constantes e uma meticulosa rotina de higiene são requeridos tanto antes quanto muito tempo após a cirurgia.
Crianças e adolescentes com câncer costumam sofrer com a deficiência de crescimento por causa do tratamento. Mas, afinal, o endocrinologista deve prescrever ou não o hormônio para superar essa disfunção? O distúrbio de crescimento como seqüela do tratamento do câncer na infância deve ser uma preocupação em crianças submetidas à irradiação sobre o eixo hipotálamo-hipofisário, os ossos longos e a espinha. Mas, especialmente em crianças com tumor cerebral, tratadas com quimioterapia citotóxica e irradiação no SNC (Sistema Nervoso Central), pode haver uma grande repercussão no crescimento.
O nível de manifestação do RNA telomerase nos tumores está bastante relacionado com o risco de uma recidiva dos mesmos nos pacientes com histologia favorável ao tumor de Wilms, segundo um estudo publicado por pesquisadores do St. Jude na edição de dezembro do Journal of Clinical Oncology.
A descoberta é importante pois ajuda os médicos, tanto a limitarem as terapias - e as toxidades associadas a elas - nos pacientes com baixo risco de reincidência, quanto a intensificarem o tratamento nas crianças com risco de recidiva mais elevado.
Por dr. Simônides Bacelar é médico e Autor do livro Expressões Médicas Errôneas, 2005.
Em português, diz-se tomografia computadorizada; logo, a sigla adequada é TC, não CT, sigla anglo-americana.
Dizer "Solicitei o CT do paciente" ou "Solicitei o TC do paciente" equivale a dizer "Solicitei o tomografia compudadorizada do doente" ou "Solicitei o computorized tomography do doente" respectivamente, o que dá aspecto cômico aos mencionados usos.
Tomografia é do gênero feminino.
Em nosso idioma, a construção adequada é a TC do paciente.
Em 2001, o lançamento do Glivec (Mesilato de Imatinib) causou furor no meio da oncologia. Destinado ao tratamento da Leucemia Mielóide Crônica (LMC) e precursor das drogas "inteligentes", o Glivec combatia unicamente a anomalia no Cromossomo Philadelphia responsável pelo surgimento da doença, poupando as células normais.
Leia a seguir a entrevista com a oncologista pediatra dra. Nasjla Saba Silva, médica do Instituto de Oncologia Pediátrica, de São Paulo, uma estudiosa em astrocitomas de baixo grau.
Portal Oncopediatria: Qual é a incidência dos astrocitomas de baixo grau em crianças e adolescentes?
Os pacientes de câncer pediátrico maiores de 10 anos, quando têm consciência de serem portadores de uma doença incurável, estão aptos a participar do debate sobre os cuidados a serem ministrados na fase final da vida. Estudo conduzido pelo St. Jude Children's Research Hospital, em parceria com o Sidney Children's Hospital, concluiu que as crianças estavam cientes de seu estado terminal, e podiam fazer parte de processos decisórios complexos, mesmo que isso envolvesse riscos para si e para os outros.
Os tumores hepáticos são raros na infância, variando de 0,5 a 2,0% dos cânceres pediátricos. Nas crianças que apresentam massa hepática, impõe-se o diagnóstico diferencial entre as hepatomegalias difusas e os tumores benignos e malignos, primários e metastáticos. Os vários estudos sobre tumores hepáticos na infância indicam que cerca de 70% são malignos. Entre esses, o mais freqüente é o hepatoblastoma.
Em 85% dos casos de tumores ósseos da infância e adolescência, não é necessário a amputação, o que significa que a maioria se submete à retirada do tumor e à colocação de uma prótese para preservar o membro. "Desde que esteja vestido, ninguém percebe que o paciente foi operado e tem uma prótese", diz dr. Reynaldo Jesus-Garcia, chefe do setor de ortopedia oncológica da Universidade Federal de São Paulo e do Instituto de Oncologia Pediátrica.
As recidivas e os surgimentos de novas neoplasias são relativamente comuns nos anos que sucedem o final do tratamento da Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), de acordo com as proposições de um novo estudo do St. Jude, publicado no Journal of Clinical Oncology. "Novas formas de tratamento devem não somente diminuir o índice de recidiva, mas também diminuir o risco do aparecimento de um segundo câncer", afirma dr. Ching-Hon Pui, do St. Jude, um dos autores da pesquisa.
A última reunião do Children's Oncology Group (COG), realizada em outubro, em Dallas (EUA), contou com a participação de centros de tratamento em câncer infantil do mundo. "Acompanhei as discussões do grupo de tumores ósseos", conta dr. Antônio Sérgio Petrilli, superintendente geral do Instituto de Oncologia Pediátrica (IOP), em São Paulo, que esteve em Dallas juntamente com três médicas e uma coordenadora de pesquisa da instituição. Ele destaca entre os temas apresentados, um trabalho de radomização para a adição do Interferon Peguilado no tratamento do osteossarcoma.
Por Dr. Renato Melaragno
Desde o início dos grupos cooperativos para o tratamento do RMS muito se ganhou na terapêutica e sobrevida dos pacientes portadores desta neoplasia. Trata-se de uma doença de tratamento complexo, devido às muitas variedades, tais como: subtipos histológicos e peculiaridades próprias dos diversos locais primários.
A identificação da translocação t(2;13) é associada ao subtipo alveolar, denotando mau prognóstico. Já a translocação t(1;13) também associada ao subtipo alveolar, denota um melhor prognóstico.
O "Estudo de Doença Residual Mínima em Crianças com Leucemia Linfóide Aguda por Citometria de Fluxo" recebeu o prêmio "Alvary de Castro", na categoria Hematologia Pediátrica do Congresso Hemo 2005, realizado no Rio de Janeiro, de 6 a 9 de novembro. Da bióloga Elisabeth Del Buono, do laboratório de hematologia do Instituto de Oncologia Pediátrica, em São Paulo, o projeto de mestrado vencedor surgiu como tentativa de encontrar uma técnica que fosse factível de realização no Brasil. "Há muitos estudos fora do país com técnicas que são muito caras.
Um estudo publicado no último dia 28 no Journal of Clinical Oncology traz novidades no tratamento do meduloblastoma. Pesquisadores britânicos da universidade de Newscastle, membros do Kingdom Children's Cancer Study Group (UKCCSG), localizaram uma proteína presente no tumor que oferece um melhor prognóstico aos jovens pacientes.
Por Dr. June Ho Lee
Quando ainda era residente, assistindo a uma aula de oncologia, um diapositivo me marcou muito e até hoje uso como exemplo do que é o tratamento oncológico. O diapositivo mostrava uma ponte sobre o rio, na qual a possibilidade de cura só é possível após a sua travessia. E a equipe de cuidados intensivos faz parte da manutenção desta ponte.
No meio médico, é freqüente o uso do termo patologia como sinônimo de doença. Contudo, expressões do tipo "patologia de base", "diagnóstico da patologia do paciente", "patologia grave" e semelhantes encontram, com razão, muitos críticos na própria classe médica. Patologia é essencialmente o conjunto de estudos sobre doenças ou a disciplina que trata de doenças, como se vê nos dicionários. Patologia cirúrgica, por exemplo, é o estudo das doenças que necessitam de operações; patologia pulmonar indica estudo das doenças dos pulmões e por aí além.
A detecção precoce, assim como a natureza do tumor e as modalidades terapêuticas utilizadas, é um fator que contribui decisivamente para a obtenção de um melhor prognóstico no tratamento do câncer infantil. Entretanto, descobrir um câncer na criança -principalmente no estágio inicial- não é nada fácil.
Encerrou-se no dia 12 de novembro a quarta edição da São Paulo Research Conference. Durante três dias, especialistas brasileiros e estrangeiros debateram as principais questões que envolvem a pesquisa e o tratamento de câncer atualmente e as respectivas contribuições da área acadêmica. Entre outros assuntos, estiveram em pauta vacinas, novos medicamentos, fatores ambientais que influem no surgimento da doença e as recentes contribuições da biologia molecular para a investigação clínica.
Os estudos com sangue de cordão umbilical iniciaram-se na década de 80. Um grupo americano de pesquisadores passou a coletar sangue de cordão em bolsa ao nascimento de bebês. Especialistas dos Estados Unidos observaram que as células do sangue de cordão se proliferavam expressivamente 'in vitro'. A partir daí, publicações começavam a mostrar que as células presentes no sangue de cordão podiam ser equivalentes às das células da medula óssea. Em 1988, o sangue de cordão umbilical de bebês nos quais havia na família algum irmão doente passou a ser colhido.
Um novo projeto da SIOP (Sociedade Internacional de Oncologia Pediátrica), o protocolo de recidiva do carcinoma de plexo coróide, tem a coordenação de um médico brasileiro, dr. Sidney Epelman. Ele é o responsável por montar a equipe e organizar as atividades dessa pesquisa que ocorre em âmbito internacional e reúne profissionais de diversos países. O carcinoma de plexo coróide é um tumor raro e extremamente maligno, que infiltra de forma extensa o tecido nervoso da criança.
O método diagnóstico por imagem PET FDG 18-CT foi eleito a invenção do ano pela revista Time, em 2000, pelo salto na inovação tecnológica proporcionado à medicina. Segundo o médico nuclear, dr. Marcus Vinícius Grigolon, do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, o exame tem uma propriedade única que é dar informações anatômicas da tomografia computadorizada (CT) de alta resolução helicoidal, junto com dados metabólicos do tumor, quando se usa a glicose marcada com o flúor 18F.
Por Dra. Isis de Magalhães
A condição do portador de Síndrome de Down ou trissomia constitucional do cromossomo 21(SD) desperta especial interesse nos estudos sobre leucemogênese, decorrente de várias peculiaridades das leucemias apresentadas por crianças portadoras desta síndrome genética. Comparados com índices de leucemias agudas (LA) na população infantil, crianças com SD apresentam risco 10 a 20 vezes maior de desenvolverem leucemias.
Novidade na luta contra o osteossarcoma. O Children's Oncology Group concluiu a fase III do estudo clínico do L-MTP-PE, droga desenvolvida para o combate deste que é um dos tumores ósseos pediátricos mais comuns. Foi produzido um lote do medicamento que atende às especificações apontadas pelo estudo e, com isso, cumpre-se mais uma etapa para que o fabricante seja autorizado pelas agências regulatórias norte-americanas e européias a distribuir comercialmente o L-MTP-PE, de modo que ele possa ser normalmente utilizado nos tratamentos.
Atualmente os avanços da medicina permitem curar, em muitos casos, moléstias como o câncer. O diagnóstico, entretanto, até hoje é recebido com apreensão, pois o tipo de neoplasia e estágio da doença são duas variáveis importantes para se conseguir os benefícios do tratamento.
"Nos trabalhos científicos, emprega-se a linguagem denotativa, isto é, cada palavra deve apresentar seu sentido próprio, referencial e não dar margem a outras interpretações" (1).
Há duas acepções referentes a gânglio: linfático e nervoso, como se vê nos dicionários e na literatura médica.
Efeitos endócrinos do tratamento do câncer na infância
As características clínicas e biológicas dos TCAs em crianças foram analisadas pelo International Pediatric Adrenocortical Tumor Registry (IPACTR), vinculado ao International Outreach Program do St. Jude Children's Research Hospital, Memphis, Tennessee, e publicadas pelo Dr. Edson Michalkiewicz (Hospital Erasto Gaertner, Curitiba,/IPACTR).
A doença de Hodgkin é uma neoplasia que se caracteriza por um infiltrado linfocitário pleomórfico com células malignas gigantes multinucleada. A taxa de sobrevida livre de doença é de 85 a 100% para pacientes em estádios precoces e de mais de 60% para os avançados. Atinge mais freqüentemente o sexo masculino e menores de 10 anos, porém raro antes dos 5 anos. Observa-se a incidência da doença de Hodgkin aumentada em países desenvolvidos, sendo um terço dos casos norte-americanos associado com o vírus Epstein-Barr nas células RS.
As seqüelas do câncer infantil e de seu tratamento podem atingir o crescimento e desenvolvimento, a reprodução, as funções de órgãos vitais e a possibilidade de uma segunda neoplasia. Os efeitos psicossociais também devem ser acompanhados e minimizados, visto que essas crianças podem apresentar um déficit no desempenho acadêmico e nas relações interpessoais, seja por seqüela física ou psicológica.
A oncologista pediatra Melissa Ferreira de Macêdo, 32 anos, natural de Goiânia, é médica assistente do serviço de oncopediatria do Hospital Infantil Estadual Darcy Vargas, em São Paulo, além de atender pacientes em seu consultório de acupuntura. A dor faz parte de seus estudos e pesquisas, motivo que a levou a falar sobre o tema nesta entrevista.
Portal Oncopediatria: Por que não se investe muito em pesquisa sobre a avaliação e intervenção da dor?
"A melhor experiência da vida foi ter sobrevivido ao câncer". Quem diz a frase é Dr. Jonathan Finlay, oncologista pediatra americano, convidado internacional do congresso de especialidades pediátricas - Criança 2005 -, realizado em agosto em Curitiba.
Todas as crianças com câncer merecem um diagnóstico precoce. Daí, nada mais natural do que incluir o módulo Hemato-Oncologia no programa do II Congresso Internacional de Especialidades Pediátricas, realizado em agosto em Curitiba, e voltado aos profissionais da equipe de tratamento. Nesta primeira participação no Criança 2005, a oncologia pediátrica apresentou-se como especialidade, na qual seus especialistas buscaram a troca de experiências e melhores resultados no tratamento oferecido à criança e ao adolescente com câncer.
As neoplasias malignas na criança diferem daquelas observadas nos adultos em relação a sua freqüência, tipo histológico e resposta ao tratamento. O câncer é, em geral, uma doença de adultos; quanto mais velho fica o indivíduo, maior a sua incidência.
Nos últimos 25 anos, a oncologia pediátrica atingiu resultados muito positivos. Crianças com câncer em baixos estádios e submetidas a tratamentos em serviços especializados conseguem a cura. Mas, e quanto ao adolescente? Qual tem sido o sucesso do tratamento que é oferecido aos pacientes dessa faixa etária? Quem deve cuidar do adolescente com câncer? E afinal, há necessidades de unidades próprias para adolescente?
De fato, o tema adolescência tem estado cada vez mais presente entre os pediatras oncologistas, dada a pluralidade de conceitos e definições disponíveis.
Passou a vigorar este mês a lei federal que torna obrigatória a instalação de brinquedotecas em hospitais que prestam serviços pediátricos. Estudos científicos realizados no exterior já demonstraram a eficácia desses espaços. De acordo com a Secretaria de Saúde de São Paulo, que também fez trabalho nesse campo, o nível de cortisol sérico - substância que indica o nervosismo - no sangue de crianças que participaram do estudo que iam à brinquedoteca tinham 22,5% a menos da substância do que as que não tinham acesso ao local.
Sabe-se que hoje os exames pelas técnicas da biologia molecular para detectar a presença de Doença Residual Mínima (DRM) é uma arma poderosa. Poder acompanhar a permanência de células tumorais viáveis em quantidades mínimas em pacientes, após o tratamento anti-neoplásico resulta, inclusive, em mudança de estadiamento e tratamento da doença. Conseqüentemente, a DRM é fundamental para subsidiar uma intervenção terapêutica nos casos de leucemia mielóide aguda e de outros tumores.
Numa partida de xadrez, o bom jogador é aquele que consegue planejar alguns lances à frente em relação ao adversário. Na oncologia geral e pediátrica pode-se fazer essa analogia, ou seja, como o enxadrista, o oncologista tem de pensar de forma perspicaz e antecipada para adotar estratégias seguras e vitoriosas.
A humanização na oncologia pediátrica traduz-se no exercício diário dos profissionais em tratar o paciente e sua família como eles merecem ser tratados. Proporcionar o cuidado ao bem-estar físico e emocional da criança e do adolescente com câncer é, antes de tudo, uma filosofia de trabalho presente nesta especialidade, compartilhada por todos os envolvidos no tratamento, ou seja, paciente, familiares e profissionais. A humanização preconiza justamente cuidar do indivíduo com respeito, individualidade, reconhecimento e diálogo. Enfim, tratá-lo como um ser humano.
O VI Encontro Nacional dos Grupos Cooperativos da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope), realizado em São Paulo, resultou numa excelente oportunidade para o intercâmbio de experiências entre os profissionais.
Muito já se conhece dos efeitos tardios relacionados ao tratamento antineoplásico. Dos estéticos aos orgânicos, como a miocardiotoxicidade de certas drogas. Porém o esforço dos pediatras oncologistas tem sido o de tratar adequadamente a patologia e ainda assim preservar a qualidade de vida dos pacientes, hoje de extrema importância para eles.
A oncologista pediátrica Maria Lydia de Andréa, responsável pelo serviço de oncopediatria do Hospital Infantil Darcy Vargas, em São Paulo, responde neste espaço a dúvidas levantadas por pediatras. A detecção precoce do câncer infanto-juvenil é um fator de reconhecida importância no tratamento e prognóstico dos pacientes. Portanto, ao suspeitar e pensar no diagnóstico diferencial de neoplasia infantil, o pediatra terá condições de encaminhar crianças com câncer aos centros multidisciplinares de tratamento, ampliando suas chances de cura.
Já há alguns anos atrás, a combinação da cirurgia com a quimioterapia tem melhorado as condições terapêuticas dos pacientes com osteossarcoma, tanto do ponto de vista de sobrevida como de cirurgia conservadora, no lugar das grandes amputações que se faziam antigamente. A medicina dispõe de técnicas cirúrgicas nas quais pode-se oferecer ao paciente a possibilidade de cirurgia preservadora do membro. Estas técnicas consistem em ressecção do tumor com substituição, podendo ser soluções biológicas ou substituição por endopróteses não-convencionais.
A leucemia mielóide aguda ainda levanta muitos questionamentos entre os que exercem a oncologia. As taxas de cura em torno de 50%, até otimistas, em pacientes jovens instigam a perguntas sobre esses resultados. Hoje, as principais abordagens na literatura são relacionadas a transplante de medula (as LMA possuem ao redor de 40 a 50% de chances de cura com a quimioterapia e cerca de 60% com o transplante de medula óssea alogeneico). De todo modo, o tratamento da LMA tem sofrido modificações significativas nos últimos anos, na tentativa de atingir melhor sobrevida dos pacientes.
Nas leucemias, alguns fatores de risco, percebidos antes mesmo do primeiro tratamento, ajudam a determinar o prognóstico dos pacientes, mostrando quais terão mais chances de recidivas. Pacientes menores de 1 ano de idade ou maiores de 9 anos são considerados de alto risco, bem como aqueles que possuam contagem leucocitária acima de 50.000. Também pode ser destacada a importância da presença do cromossomo Filadélphia, que piora o prognóstico.
Uma pesquisa divulgada, em fevereiro, na revista especializada International Journal of Câncer sugere que bebês grandes têm um risco maior de desenvolver alguns tipos de câncer quando chegam à idade adulta.
Os pesquisadores suecos e britânicos examinaram os históricos de 11.166 pessoas nascidas entre 1915 e 1929. Cerca de 25% delas foram diagnosticadas com câncer entre 1960 e 2001. A conclusão foi de que cada 450 gramas a mais de peso do bebê ao nascer representa um risco 17% maior de ocorrência do câncer linfático e 13% maior de câncer no aparelho digestivo.
O uso de prontuário eletrônico, para o registro de informações com a história clínica do paciente, não é comum dentro dos hospitais e consultórios brasileiros. Mesmo assim, hoje, já há suficiente experiência acadêmica e infra-estrutura para a implantação de sistema digital de suporte à saúde.
Com o conhecimento de quem defendeu a dissertação de mestrado Estudo dos fatores que influenciam o atraso do diagnóstico das neoplasias malignas pediátricas dos pacientes admitidos no Hospital do Câncer de São Paulo, de 1991 a 2002, a oncologista pediátrica Karla Emília de Sá Rodrigues, do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, observou que são múltiplos os fatores que influenciam o tempo de duração do sintoma.
Um observador participante é como deve agir o psicólogo que trabalha com crianças e adolescentes com câncer. Atitude necessária, antes de tudo, para apreender a realidade do paciente e dos familiares. A partir daí, ele pode então propor ações, explicando aos envolvidos o que está acontecendo, sempre num clima de acolhimento e compreensão.
O tratamento de câncer de uma criança envolve a família, uma vez que todos são afetados pelas inúmeras internações do paciente ao longo de anos, assim como pelos procedimentos agressivos e, principalmente, pela possibilidade da morte.
No final de abril, o psiquiatra inglês Colin Murray Parkes, um dos maiores especialistas em luto no mundo, esteve no Brasil para participar do 3o. Congresso Brasileiro de Tanatologia (estudos sobre a morte) e Bioética, quando falou ao jornal Folha de S. Paulo.
Para psicólogos que trabalham com pacientes que estão fora de possibilidades terapêuticas e suas famílias, além de úteis, as análises desse especialista podem ser aplicadas ao conhecimento da onco-psicologia.
Leia resumo com os principais trechos da reportagem com Parkes para a Folha de S. Paulo:
O projeto do Núcleo de Estudos e Orientação em Oncologia Pediátrica (NEOOP) da Universidade Estadual de Santa Cruz, da Bahia, denominado "Diagnóstico Precoce: o caminho mais curto para a cura do câncer infantil" foi um dos vencedores do 2o Prêmio Novartis de Oncologia, na categoria de saúde pública, divulgado em cerimônia no último dia 27 de abril.
O livro "Oncologia para graduação", dos Drs. Ademar Lopes, Hirofumi Iyeyasu, Luiz Fernando Lopes, Eduardo de Souza Almeida e Rosa Maria R. P. Castro, aposta na abrangência da informação e na linguagem acessível ao aluno de graduação de escolas médicas.
As novas instalações dos quatro laboratórios do Centro de Transplante de Medula Óssea do Instituto Nacional do Câncer (INCA), no Rio de Janeiro, já estão abertas aos pesquisadores das instituições do Brasil e às pesquisas com células-tronco. Segundo o diretor do Centro, o médico especialista em transplante de medula óssea Dr.
Tanto no Brasil como em outros países, a conduta terapêutica no tratamento do neuroblastoma tem levado oncologistas pediátricos a compartilharem as mesmas dúvidas e dificuldades. Isso porque os neuroblastomas têm um comportamento aparentemente paradoxal sob o ponto de vista biológico. Ao mesmo tempo em que representa o melhor exemplo disponível de regressão espontânea em tumores é, em sua forma mais comum de apresentação, com pelo menos ¾ dos casos, qual seja, crianças com mais de um ano de idade e doença em estádio avançado, uma das neoplasias com maior dificuldade de resolução.
Usar altas doses de terapia à base de corticosteróide em crianças com leucemia linfoblástica aguda (LLA) pode levar à supressão a glândula supra-renal, dizem pesquisadores dinamarqueses.
A pesquisadora Mariane Rix, do Aalborg University Hospital, afirma que "crianças tem uma expressiva taxa de mortalidade relacionada ao tratamento, em função do aparecimento de infecções. O comprometimento da supra-renal, causado pelos coritcoesteróides pode contribuir significativamente para essa situação".
O Simpósio sobre Leucemia Infanto-Juvenil, que ocorreu entre 28 e 30 de junho no Rio de Janeiro e contou com a presença dos grupos de estudos cooperativos formados por membros da Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope), encerrou-se com bons resultados. Realizado no Instituto Nacional do Câncer, Rio de Janeiro, o encontro mostrou que os oncologistas pediátricos brasileiros têm agido como pontas de lança em prol dos avanços na especialidade nos últimos 20 anos.
Dificuldade para ouvir, para falar, para engolir, para mastigar, para ler, para escrever, enfim, para se comunicar. Essas complicações são relativamente freqüentes no tratamento do câncer infantil, especialmente nos tumores de Sistema Nervoso Central (SNC). Muitas vezes, porém, a equipe médica e os familiares têm dificuldade para percebê-las, o que pode comprometer a qualidade de vida dos pacientes. E faltam estudos sobre o assunto, principalmente no Brasil.
Quando o assunto é detecção precoce do câncer infanto-juvenil, é sempre melhor bater num ponto: a atenção dos pais! Que eles não devem superproteger os filhos, as pessoas conscientes entendem. Pois de nada adianta transformar um resfriado ou vômito em doença grave, sem o diagnóstico do médico.
Infelizmente, processo pode durar até dois anos, inviabilizando a recuperação total dos pacientes
Por Dra. Erica Boldrini - Responsável pela Oncopediatria do Hospital do Câncer de Barretos e Presidente da LACCA
Com o Projeto Felicidade, que oferece lazer e diversão a crianças carentes portadoras de câncer em São Paulo, a iniciativa vai além da atitude solidária. No fundo, os pacientes selecionados para o Projeto são incentivados a lutar pela vida e a acreditar que são cidadãos merecedores de conforto e alegria, apesar do difícil tratamento que enfrentam e dos problemas financeiros de suas famílias. O Projeto é uma idéia da entidade judaica beneficente Beit Chabad Central.
Livro aborda medos, angústias e fantasias dos irmãos de crianças com câncer. A obra é voltada ao pequeno familiar, que se sente abandonado durante o prolongado tratamento de câncer do irmão.
Doutor Ricardo Brentani é professor titular da disciplina de Oncologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), diretor-presidente do Hospital do Câncer de São Paulo, diretor do Instituto Ludwig e diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Com doutorado em Bioquímica, na USP, ele está envolvido com o projeto genoma do câncer, que congrega 30 entidades e é financiado pelo Instituto Ludwig em conjunto com a Fapesp. Leia a seguir a entrevista com doutor Brentani.
Diferente dos Estados no Brasil, onde a responsabilidade pela saúde pública é do município e do estado, a organização de saúde do Distrito Federal é peculiar, com um modelo bem estruturado e todos os hospitais fazendo parte da rede. O sistema conta com 62 centros de saúde para o atendimento primário à população. Há os hospitais regionais, que recebem os doentes com casos comuns, porém que precisam de internação e cirurgia. Já os hospitais de Base e Apoio estão preparados para atender os pacientes com problemas considerados terciários e quaternários (graves), tanto adultos como crianças.
Em quase todas as semanas ouvimos falar sobre as novas descobertas associadas ao uso de células-tronco. No início de março, com a aprovação das pesquisas com células-tronco embrionárias no Congresso Nacional, em Brasília, a repercussão do tema foi ainda maior.
Células-tronco são células com capacidade de auto-regeneração e de diferenciação em outras células mais especializadas. Células-tronco já estudadas há muitos anos são hematopoiéticas, utilizadas nos transplantes de medula-óssea.
A campanha nacional de doação de medula óssea entrou em 2005 na sua segunda fase. E, a partir de abril, estará concentrada nos estados do Norte e Nordeste do país
O Instituto Nacional de Câncer (INCA), no Rio de Janeiro, inaugurou este mês as novas instalações de quatro laboratórios do Centro de Transplante de Medula Óssea (CEMO). Os setores ocupam agora cerca de 500 metros quadrados. Também foi inaugurado o primeiro Banco Nacional de Tumores e DNA do Brasil. O Banco, localizado na Coordenação de Pesquisa do INCA, terá espaço para armazenar num primeiro momento até 48 mil amostras.
O Centro de Diagnósticos por Imagem do GRAACC, em São Paulo, acaba de receber um equipamento de ressonância magnética, que permitirá resultados mais ágeis e precisos. O equipamento já está sendo utilizado no hospital.
Com o novo equipamento, o GRAACC forma uma estrutura completa de diagnóstico para atender pacientes de dentro e fora da instituição. "A iniciativa permite que toda criança ou adolescente, independentemente de seu poder aquisitivo, tenha acesso ao melhor diagnóstico", conclui o Prof. Dr. Henrique Lederman, Chefe do Centro de Diagnósticos por Imagem.
Centro de Oncologia Pediátrica do Oswaldo Cruz ganha espaço voltado aos pacientes mirins
Crianças e adolescentes com câncer, internados na unidade de diagnóstico e tratamento do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no Recife, já contam com uma brinquedoteca, espaço para amenizar o sofrimento provocado pelo tratamento de quimioterapia e radioterapia.
Sem políticas públicas, mais de 60% das crianças do mundo não tem acesso a terapias eficientes contra o câncer
Segundo pesquisadores do St. Jude Children's Research Hospital, nos Estados Unidos, a dimensão do câncer como um fator de mortalidade infantil em países em desenvolvimento é um problema que não tem sido tratado adequadamente por organizações de saúde nacionais ou internacionais.
O aumento do problema está ocorrendo simultaneamente à medida que cai o número de mortes por doenças infecciosas, resultado dos esforços de entidades como a Organização Mundial de Saúde (OMS).
O senso comum normalmente acredita que as crianças com câncer provenientes das camadas mais pobres estão mais propensas a não aderirem ao tratamento e integrarem as estatísticas sombrias associadas à doença. Com sua extrema desigualdade social, o Brasil é um local propício para se avaliar a veracidade desta percepção.
As crianças e os adolescentes com câncer apresentam náuseas e vômitos tão freqüentemente quanto os adultos. A intensidade e a freqüência destes efeitos colaterais dependem da intensidade da quimioterapia, tipo de medicamentos, estado psíquico e principalmente da atenção que a equipe de saúde dedica para este problema.
Cuidar de uma criança ou adolescente com câncer e sem possibilidade de cura não é nada fácil, tanto para a família quanto para a equipe de saúde. Normalmente os pais, consternados, só conseguem fazer uma indagação – “quanto tempo meu filho viverá?” – que nem sempre pode ser respondida pelos profissionais. Foi pensando nessa situação que a enfermeira Andréa Kurashima, pesquisadora do Departamento de Pediatria do Hospital A.C.Camargo se debruçou, em sua tese de doutorado, sobre este grupo de pacientes e familiares.